{"id":64,"date":"2023-11-29T13:04:29","date_gmt":"2023-11-29T16:04:29","guid":{"rendered":"https:\/\/preview-blog.quaticurioso.com.br\/?p=64"},"modified":"2023-11-29T13:04:29","modified_gmt":"2023-11-29T16:04:29","slug":"literatura-afro-brasileira-como-inclui-la-na-educacao-desde-os-anos-iniciais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/publicacoes.quaticurioso.com.br\/?p=64","title":{"rendered":"Literatura afro-brasileira: como inclui-la na educa\u00e7\u00e3o desde os Anos Iniciais"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-left is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" style=\"font-style:normal;font-weight:600\">\n<p><\/p>\n<cite><em>Por que \u00e9 importante promover, desde a inf\u00e2ncia, um ensino-aprendizagem baseado em pertencimentos \u00e9tnico, racial e cultural?<\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/preview-blog.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_1523286005-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-117\" style=\"width:592px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/publicacoes.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_1523286005-scaled.jpg 2560w, https:\/\/publicacoes.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_1523286005-300x200.jpg 300w, https:\/\/publicacoes.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_1523286005-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/publicacoes.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_1523286005-768x512.jpg 768w, https:\/\/publicacoes.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_1523286005-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/publicacoes.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_1523286005-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\">fizkes\/Shutterstock<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2003, a Lei n. 10.639 tornou obrigat\u00f3rio o ensino da hist\u00f3ria e da cultura negras e ind\u00edgenas nas escolas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Isso foi feito buscando conscientizar crian\u00e7as e adolescentes a respeito das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnicas e raciais. Nesse contexto, a literatura afro-brasileira funciona como um campo importante para a valoriza\u00e7\u00e3o da identidade, al\u00e9m de ser um apoio para uma forma\u00e7\u00e3o multicultural, que desconstrua a imagem negativa e inferior ocupada por esses povos no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos conhecer um pouco o que \u00e9 a literatura afro-brasileira e como ela pode desempenhar pap\u00e9is t\u00e3o significativos no aprendizado desde os Anos Iniciais do Ensino Fundamental, que contemplam crian\u00e7as de 6 a 10 anos. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>O que caracteriza a literatura afro-brasileira?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que n\u00e3o haja consenso entre os estudiosos do tema \u2013 visto que alguns consideram essa terminologia limitante, enquanto outros defendem o seu uso no sentido de luta contra uma escrita branca e tradicional \u2013, \u00e9 poss\u00edvel atribuir algumas caracter\u00edsticas \u00e0 literatura afro-brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Eduardo de Assis Duarte, do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Letras (Estudos Liter\u00e1rios) e do N\u00facleo de Estudos Interdisciplinares da Alteridade (NEIA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), aponta que existem duas quest\u00f5es essenciais. A primeira \u00e9 o fato de o sujeito da obra, do eu l\u00edrico ou de um narrador se autoproclamarem negros ou afrodescendentes, e a segunda \u00e9 a exist\u00eancia de um olhar n\u00e3o-branco e n\u00e3o-racista. Segundo ele, \u201c[&#8230;] t\u00e3o relevante ou mais que a explicita\u00e7\u00e3o da origem autoral \u00e9 o lugar a partir do qual o autor expressa sua vis\u00e3o de mundo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor tamb\u00e9m defende que o tema do texto ajuda a configurar o pertencimento dele \u00e0 literatura afro-brasileira. Ele diz que a produ\u00e7\u00e3o \u201c[&#8230;] pode contemplar o resgate da hist\u00f3ria do povo negro na di\u00e1spora brasileira, passando pela den\u00fancia da escravid\u00e3o e de suas consequ\u00eancias, ou ir \u00e0 glorifica\u00e7\u00e3o de her\u00f3is como Zumbi dos Palmares\u201d, mas que \u00e9 preciso considerar a tem\u00e1tica levando em conta a intera\u00e7\u00e3o com os outros fatores citados, como autoria e ponto de vista.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo: a obra <em>Cidade de Deus<\/em> (1958) foi escrita por um homem negro <strong>(autoria)<\/strong> e narra o dia a dia de uma favela carioca a partir do olhar de Buscap\u00e9 <strong>(ponto de vista)<\/strong>, um garoto tamb\u00e9m negro, pobre e sens\u00edvel que vive em meio \u00e0 viol\u00eancia que acomete outros jovens como ele <strong>(tem\u00e1tica)<\/strong>. Em muitos momentos, a narrativa cita Exus e pombas-gira, elementos presentes nas religi\u00f5es de matriz africana, o que complementa as caracter\u00edsticas de literatura afro-brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>A linguagem e o p\u00fablico tamb\u00e9m s\u00e3o componentes importantes. No primeiro, consideramos o \u201c[&#8230;] vocabul\u00e1rio pertencente \u00e0s pr\u00e1ticas lingu\u00edsticas oriundas de \u00c1frica e inseridas no processo transculturador em curso no Brasil\u201d, conforme pontua Duarte. J\u00e1 o segundo \u00e9 mais subjetivo, pois trata-se da intencionalidade do autor ao atuar como porta-voz de uma comunidade e ao fomentar um papel social da literatura.<\/p>\n\n\n\n<p>Entender o que caracteriza a literatura negra, ou afro-brasileira, possibilita compreender o espa\u00e7o que ela deve ocupar na forma\u00e7\u00e3o dos estudantes.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Literatura afrodescendente na sala de aula dos Anos Iniciais<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No artigo <em>Educa\u00e7\u00e3o infantil e literatura: um direito a sonhar, ampliar e construir repert\u00f3rio<\/em>, os autores lembram um aspecto crucial referente \u00e0s for\u00e7as disciplinadoras: a sele\u00e7\u00e3o de obras para a educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as fica a cargo das pol\u00edticas p\u00fablicas, das escolas e de professores.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/preview-blog.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_1615127554-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-119\" style=\"width:561px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/publicacoes.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_1615127554-scaled.jpg 2560w, https:\/\/publicacoes.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_1615127554-300x200.jpg 300w, https:\/\/publicacoes.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_1615127554-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/publicacoes.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_1615127554-768x512.jpg 768w, https:\/\/publicacoes.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_1615127554-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/publicacoes.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_1615127554-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\">Pixel-Shot\/Shutterstock<\/p>\n\n\n\n<p>Uma an\u00e1lise das composi\u00e7\u00f5es dos acervos liter\u00e1rios desde a primeira edi\u00e7\u00e3o do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), de 1999, at\u00e9 o mais recente Programa Nacional do Livro (PNLD), de 2018, mostrou que, dos 1\u2009199 livros de literatura infantil selecionados para os AIEF, apenas 82 est\u00e3o relacionados \u00e0s tem\u00e1ticas afro-brasileira ou africana \u2013 6,83% do total. Os dados foram coletados pelas pesquisadoras Carla Fernanda Brito Bispo e Helo\u00edsa A. Matos Lins.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que esse n\u00famero demonstre o quanto \u00e9 preciso combater institucionalmente a oferta de narrativas liter\u00e1rias \u00fanicas em sala de aula, \u00e9 poss\u00edvel encontrar maneiras de valorizar a cultura negra a partir de pr\u00e1ticas como conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, media\u00e7\u00e3o de leitura, desenvolvimento de di\u00e1rios, varais po\u00e9ticos, entre outras. Apoiadas em bons materiais, elas podem contribuir para o reconhecimento dos impactos do racismo.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Quais s\u00e3o as principais obras e os principais representantes da literatura afro-brasileira?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00darsula<\/em> (1859), de Maria Firmina dos Reis, \u00e9 considerado o primeiro romance no qual um personagem negro ganha destaque na trama. O escravo T\u00falio \u00e9 refer\u00eancia moral do texto e tem \u201c[&#8230;] sentimentos t\u00e3o nobres e generosos como os que animavam a alma do jovem negro [&#8230;]\u201d, conforme narrado por Tancredo, um homem branco. \u00c9 preciso lembrar que os negros da \u00e9poca muitas vezes sequer eram vistos como seres humanos. Al\u00e9m disso, Firmina fazia jus \u00e0 sua escrita contra-hegem\u00f4nica, pois era mulher e negra.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando as caracter\u00edsticas propostas por Eduardo Duarte, al\u00e9m de <em>\u00darsula<\/em>, outros livros podem compor a lista de principais obras da literatura afro-brasileira. S\u00e3o eles:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>Quarto de despejo<\/em> (1960), de Carolina Maria de Jesus;<\/li>\n\n\n\n<li><em>Dion\u00edsio esfacelado<\/em> (1984), de Dom\u00edcio Proen\u00e7a Filho;<\/li>\n\n\n\n<li><em>Cidade de Deus<\/em> (1997), de Paulo Lins;<\/li>\n\n\n\n<li><em>Ponci\u00e1 Vic\u00eancio<\/em> (2003), de Concei\u00e7\u00e3o Evaristo;<\/li>\n\n\n\n<li><em>Contos crioulos<\/em> <em>da Bahia<\/em> (2004), de Mestre Didi;<\/li>\n\n\n\n<li><em>Da Cabula<\/em> (2006), de Allan da Rosa.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>H\u00e1, ainda, outros autores, como Luiz Gama, com <em>Trovas burlescas<\/em> (1859), e Machado de Assis, que foi equivocadamente canonizado como escritor branco. Entre os destaques contempor\u00e2neos, podemos citar:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Cuti, com <em>Negroesia<\/em> (2010);<\/li>\n\n\n\n<li>Cidinha da Silva, com <em>Um Exu em Nova York<\/em> (2018);<\/li>\n\n\n\n<li>Ana Maria Gon\u00e7alves, com <em>Um defeito de cor<\/em> (2006);<\/li>\n\n\n\n<li>Cristiane Sobral, com <em>N\u00e3o vou mais lavar os pratos<\/em> (2011);<\/li>\n\n\n\n<li>L\u00edvia Nat\u00e1lia, com <em>\u00c1gua negra e outras \u00e1guas<\/em> (2017).<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A leitura dessas produ\u00e7\u00f5es, se for feita com intencionalidade pedag\u00f3gica, incentiva debates sobre quest\u00f5es raciais, abordando temas como silenciamento, representatividade, conceitos de ra\u00e7a, de cor e de etnia, heran\u00e7as culturais, escraviza\u00e7\u00e3o, estere\u00f3tipos, religi\u00f5es de matrizes africanas e mais. Al\u00e9m disso, essa leitura viabiliza a circula\u00e7\u00e3o de obras e de escritores que, por muito tempo, foram negligenciados no mercado editorial.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Sugest\u00f5es para trabalhar com os Anos Iniciais do Ensino Fundamental<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As obras acima servem de estudo e de inspira\u00e7\u00e3o para os educadores que est\u00e3o investindo em uma forma\u00e7\u00e3o antirracista, mas podem exigir um conhecimento pr\u00e9vio que os alunos mais novos talvez n\u00e3o tenham. Veja, ent\u00e3o, op\u00e7\u00f5es de leitura para valorizar a cultura negra que servem de est\u00edmulo a atividades e a brincadeiras nos Anos Iniciais:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>Menino parafuso<\/em> (2010), de Olivia de Mello Franco;<\/li>\n\n\n\n<li><em>O menino cora\u00e7\u00e3o de tambor<\/em> (2013), escrito por Nilma Lino Gomes e com ilustra\u00e7\u00f5es de Maur\u00edcio Negro;<\/li>\n\n\n\n<li><em>Amoras<\/em> (2015), de Emicida;<\/li>\n\n\n\n<li><em>O pente penteia<\/em> (2015), escrito por Oleg\u00e1rio Alfredo e ilustrado por Iara Rachid;<\/li>\n\n\n\n<li><em>Sulwe<\/em> (2019), de Lupita Nyong\u2019o;<\/li>\n\n\n\n<li><em>O Pequeno Pr\u00edncipe preto<\/em> (2020), de Rodrigo Fran\u00e7a;<\/li>\n\n\n\n<li><em>Black Power de Akin<\/em> (2020), de Kiusam de Oliveira.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Por que a literatura negra \u00e9 importante nas escolas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora Keila de Oliveira pontua, em sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, que a Lei 10.639\/2003 \u00e9 uma conquista resultante da luta e da resist\u00eancia dos movimentos sociais e das pesquisas que buscam compreender o poder das medidas socioeducativas na neutraliza\u00e7\u00e3o das marcas deixadas pelo preconceito e pela discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, ela investigou de que maneira os livros de literatura auxiliam os professores na constru\u00e7\u00e3o de identidades raciais das crian\u00e7as que frequentam o Ensino Fundamental I.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2560\" height=\"1707\" src=\"https:\/\/preview-blog.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_2267902649-scaled.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-120\" style=\"width:528px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/publicacoes.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_2267902649-scaled.jpg 2560w, https:\/\/publicacoes.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_2267902649-300x200.jpg 300w, https:\/\/publicacoes.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_2267902649-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/publicacoes.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_2267902649-768x512.jpg 768w, https:\/\/publicacoes.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_2267902649-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/publicacoes.quaticurioso.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/shutterstock_2267902649-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-small-font-size\">Monkey Business Images\/Shutterstock<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os resultados, a pesquisadora identificou que trabalho em equipe, elabora\u00e7\u00e3o de textos, apresenta\u00e7\u00f5es de teatro e confec\u00e7\u00f5es de cartazes e de bonecas <em>abayomis<\/em> (s\u00edmbolo de resist\u00eancia negra e de tradi\u00e7\u00e3o) s\u00e3o atividades que permitiram \u00e0s crian\u00e7as criarem e recriarem sua identidade social. \u201c[&#8230;] conforme iam ouvindo e discutindo sobre as hist\u00f3rias contadas, [elas] faziam rela\u00e7\u00e3o com suas experi\u00eancias, suas culturas e sua(s) pr\u00f3pria(s) hist\u00f3rias\u201d, detalha Keila em seu trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>A autora ainda afirma que os pequenos s\u00e3o curiosos sobre a cor de sua pele, sobre o seu cabelo e sobre suas diferen\u00e7as, e que o professor precisa incluir, no seu trabalho di\u00e1rio, discuss\u00f5es e pr\u00e1ticas antirracistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse caso, recorrer ao universo liter\u00e1rio focando na literatura afrodescendente e nos escritores negros brasileiros \u00e9 uma alternativa necess\u00e1ria, pois \u00e9 preciso \u201c[&#8230;] que as crian\u00e7as vejam personagens negros como protagonistas de suas hist\u00f3rias infantis, dos desenhos animados, nos programas de televis\u00e3o, nos filmes, nas propagandas [&#8230;]\u201d, refor\u00e7a Keila em seu trabalho <em>Letramento racial cr\u00edtico nas s\u00e9ries iniciais do Ensino Fundamental I a partir de livros de literatura infantil: os primeiros livros s\u00e3o para sempre<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, a literatura afro-brasileira serve de instrumento para ajudar a romper o c\u00edrculo vicioso do racismo ao permitir que o aluno negro se reconhe\u00e7a por meio dos livros, inclusive em pap\u00e9is sociais importantes. Isso possibilita seu empoderamento para defender sua ancestralidade e o legado de seu povo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 importante lembrarmos que essa literatura tamb\u00e9m serve de instrumento transformador para todos os demais alunos e para a comunidade em geral, pois proporciona o reconhecimento da pot\u00eancia atingida quando os negros passam a ocupar mais espa\u00e7os e a trazer outras perspectivas para a nossa sociedade. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong> <strong>bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">BISPO, C. F. B; LINS, H. A. M. Literatura afro-brasileira e africana para a inf\u00e2ncia: que hist\u00f3rias se d\u00e3o a contar-praticar na escola? <em>Caderno de Letras<\/em>, Pelotas, n. 38, p. 267-284, set.\/dez. 2020. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.ufpel.edu.br\/index.php\/cadernodeletras\/article\/view\/19436\/12601\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">https:\/\/periodicos.ufpel.edu.br\/index.php\/cadernodeletras\/article\/view\/19436\/12601<\/mark><\/a>. Acesso em: 13 nov. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">DUARTE, E. A. Por um conceito de literatura afro-brasileira<em>.<\/em> <em>Literafro<\/em>, 2011. Dispon\u00edvel em:<mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\"> <a href=\"http:\/\/www.letras.ufmg.br\/literafro\/artigos\/artigos-teorico-conceituais\/148-eduardo-de-assis-duarte-por-um-conceito-de-literatura-afro-brasileira\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.letras.ufmg.br\/literafro\/artigos\/artigos-teorico-conceituais\/148-eduardo-de-assis-duarte-por-um-conceito-de-literatura-afro-brasileira<\/a><\/mark>. Acesso em: 13 nov. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">OLIVEIRA, K. <em>Letramento racial cr\u00edtico nas s\u00e9ries iniciais do Ensino Fundamental I a partir de livros de literatura infantil<\/em>: os primeiros livros s\u00e3o para sempre. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Estudos da Linguagem) \u2013 Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, 2019. Dispon\u00edvel em: <mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\"><a href=\"https:\/\/tede2.uepg.br\/jspui\/bitstream\/prefix\/2884\/1\/Keila%20de%20Oliveira.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/tede2.uepg.br\/jspui\/bitstream\/prefix\/2884\/1\/Keila%20de%20Oliveira.pdf<\/a><\/mark>. Acesso em: 13 nov. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">REIS, M. F. \u00darsula, cap\u00edtulo I &#8211; Duas almas generosas. <em>Literafro<\/em>, 2018. Dispon\u00edvel em: <mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\"><a href=\"http:\/\/www.letras.ufmg.br\/literafro\/autoras\/24-textos-das-autoras\/1681-maria-firmina-dos-reis-ursula-capitulo-i-duas-almas-generosas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.letras.ufmg.br\/literafro\/autoras\/24-textos-das-autoras\/1681-maria-firmina-dos-reis-ursula-capitulo-i-duas-almas-generosas<\/a>.<\/mark> Acesso em: 13 nov. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">SOUZA, R. J.; MARTINS, I. A. Educa\u00e7\u00e3o infantil e literatura: um direito a sonhar, ampliar e construir repert\u00f3rio. <em>Conjectura<\/em>: filosofia e educa\u00e7\u00e3o, Caxias do Sul, v. 20, n. especial, p. 221-239, 2015. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.fct.unesp.br\/Home\/Pesquisa\/cellij\/educacao-infantil-e-literatura--martins-neto-e-souza---2015.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.fct.unesp.br\/Home\/Pesquisa\/cellij\/educacao-infantil-e-literatura&#8211;martins-neto-e-souza&#8212;2015.pdf<\/a>. Acesso em: 13 nov. 2023.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que \u00e9 importante promover, desde a inf\u00e2ncia, um ensino-aprendizagem baseado em pertencimentos \u00e9tnico, racial e cultural? fizkes\/Shutterstock Desde 2003, a Lei n. 10.639 tornou obrigat\u00f3rio o ensino da hist\u00f3ria e da cultura negras e ind\u00edgenas nas escolas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. 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